A Especialização na Formação
5 de Maio de 2009 | Categoria: Informação | 2 commentsA Especialização na Formação
A partir de que escalão etário deverá começar a especialização dos jogadores numa determinada função/posição?
Defenição de especialização:
- acto ou efeito de especializar ou especializar-se;
- menção especial;
- particularização;
Existem várias teorias/opiniões, algumas defendem que desde que se começa a treinar os jogadores devem ter uma
posição defenida e ser o melhor possível nela, outros defendem que o jogadores não devem nunca especializar-se,
devem aprender a jogar em todas as posições.
A minha opinião é que até aos infantis (Fut7), os jogadores devem aprender a praticar as diferentes posições no
campo, devem fundamentalmente perceber o que fazer caso sejam apanhados em posições do campo diferentes
da habitual.
Os treinadores devem prepara-los para estas situações porque devido ao tamanho do campo e à grande diversidade
de movimentações efectuadas no jogo a qualquer momento os jogadores podem ter de reagir a estimulos diferentes
dos habituais. É importante que os jogadores percebam o jogo e saibam utilizar os princípios de ataque e defesa de
forma objectiva com vista à melhoria do jogo da equipa.
Quando os jogadores integram uma equipa de futebol 11, a diversidade de movimentações é igualmente elevada
contudo devido à existência de mais jogadores em campo e às dimensões do mesmo, as permutações de posições
na sua maioria, apenas acontece em colegas de sector ou flanco.
O Futebol 7 deve ser o espaço/tempo, para a aprendizagem do jogo.
Não devendo ser encarado o treino como a especialização do jogador, mas sim uma etapa rumo à especialização.
Na minha opinião a especialização do jogador começa com a passagem para o futebol 11, na maioria dos casos,
entre os 12 e os 13 anos.
Cabe-nos contribuir para a melhoria da formação.
Esta é a minha opinião…E a tua qual é?
V.Rita

Olá a todos, em especial ao Rita que escreveu um bom texto.
Bom artigo, interessante de se debater. Vou deixar a minha opinião.
Não acho que faça sentido falar em começar a especialização pelo treinador, ou mesmo pelo atleta.A especialização acontece por si só, é a consequência de muitos factores que começam a determinar que cada jogador joga em determinada posição.
Passo a explicar o que penso: pelas suas características físicas (velocidade, força, resistência…etc), psicológicas (auto-confiança, maturidade, liderança, capacidade sofrimento etc) e pelo seu entendimento do jogo (capacidade de entender o jogo e compreender quais as funções/tarefas associadas a cada momento/posição, de acordo com o modelo de jogo da equipa), a partir de determinada altura, que eu não consigo saber exactamente quando, o atleta e o treinador vão perceber que é em determinada posição que cada atleta rende mais. E esta palavra do rende mais é importante. Porque acima de tudo está o rendimento da equipa, e porque todas as equipas são diferentes e cada jogador está em permanente evolução (ou pretende-se que esteja), também a sua posição pode estar sempre a mudar, sem que isso seja considerado, na minha opinião, falta de especialização ou adiamento da mesma.
Não é difícil encontrar exemplos no futebol actual. Quando começou a especialização do Cristiano Ronaldo? Quando comecou a ser extremo no Sporting em 4:3:3?ou quando passou a médio-ala no 4:4:2 do manchester dos primeiros anos?ou quando passou a avançado em 4:4:2?ou quando passou a ponta de lança no 4:3:3 actual do manchester?o Deco passou por várias fases também, e muitos outros…
Bom, se eu tentar resumir talvez diga o seguinte: a especialização não começa nem acaba, é um processo constante e sempre presente.
Claro, é apenas a minha opinião. Obrigado e comentem.
Abraço a todos
Parabéns pela iniciativa à discussão sob o futebol de formação.
Acompanho há muitos anos os jogos das equipas de formação, sei do estou a falar e do que vejo semanalmente, e das duas uma: ou os jovens jogadores portugueses não têm competências futebolísticas (o que é mentira) ou a formação que lhes é ministrda é uma infelicidade. Ou porque não têm condições logísticas (recursos físicos dos clubes) ou porque a falta de conhecimentos e de especial sensibilidade dos seus técnicos deixa muito a desejar, para não dizer, a rasar a ignorância. Excetuando os grandes clubes, onde a exigência da formação, a quantidade e a qualidade do treinamento estão especialmente preparados/adequados para fazer, desenvolver, com continuidade, as reais capacidades dos miúdos, desde os 10 ou 12 anos, por exemplo, a nível distrital faz-se “o que se pode”, dizem muito, para não dizer a globalidade.
Mesmo os escalões nacionais não estão isentos de reparos; veja-se que raramente um jogador português singra no plantel principal. No percurso de formação, as selecçãoes nacionais das camadas jovens geram internacionais que nunca têm lugar nas suas equipas seniores, muito menos nos principais clubes, onde abundam os estrangeiros, a maioria de qualidade duvidosa. Privilegia-se a pujança física, os “carregadores de piano” para se vencer provas “enquanto se é novo”, deixando pelo caminho grandes miúdos de capacidades técnico/tácticas que, nessa mesma idade, não seriam nada inferiores ao que foram, por exemplo, Figo ou Rui Costa. E assim se repercute na Selecção Nacional, onde rareiam avançados e médios (defesas, que não laterias de grande nível, ainda se vão encontrando) capazes de ombrear nos níveis mais competitivos. Enquanto não houver treinos exigentes específicos para miúdos de qualidade (eles até gostam de treinos puxados para se sentirem motivados) nos clubes/competições distritais (onde se misturam muitos miúdos, e nada contra isso, que jogam apenas para praticar desporto e conviver) não se passará da mediania e pelo caminho todos serão desaproveitados.
Por outro lado, é uma realidade constatável para quem percorre semanalmente os campeonatos dos escalões de formação e os diversos torneios, a imensa falta de formação dos líderes dos miúdos, desde dirigentes a treinadores e pais dos miúdos. É lamentável, até uma vergonha, a quantidade de penalizações de terinadores e dirigentes pelos conselhos de disciplina nos escalões de escolas e infantis. Vê-se em todo o lado treinadores aos berros com os pequenos atletas, sem o mínimo de sensibilidade e conhecimento das suas capacidades cognitivas e emocionais de entender o jogo. É aquela ideia “de que a criança é um adulto em ponto pequeno” e quando assim é está tudo ditos quanto à capacidade de liderança. Muitos querem é ganhar a qualquer preço, e nos clubes mais reconhecidos é ver miúdos a chorar quando perdem, são os treinadores desnorteados nas suas reacções e os dirigentes a seguirem-lhes o caminho. E os pais, desvairados, a ofender os árbitros (apesar de que também os há fraquinhos quanto baste), os pequenos atletas adversários, e os pais dos outros, sem repararem no indescritível “espectáculo” e exemplo vergonhosos que oferecem à formação. Esta é a realidade do futebol de formação que se vê todos os sábados, muito nos infantis e escolas, e aos domingos. Saúde-se todos os que têm bom senso, sabendo gerir e acompanhar um grupo de miúdos para a qualidade e a exigência sem perderem o controlo e o respeito. Reformule-se a formação de muitos que querem mas não sabem como fazer, ainda que pensem que o sabem.