Entrevista ao Jornal da Bairrada
9 de Março de 2010 | Categoria: Clube, NOTÍCIAS EM DESTAQUE | 1 Comentário »O Oliveira do Bairro Sport Clube tem desde há pouco mais de 6 meses, uma Direcção que pretende e quer dar estabilidade ao modelo de gestão do clube, que durante alguns anos assentou na figura da Comissão Administrativa que, apesar dos bons resultados desportivos e financeiros, criava insegurança no final de cada época desportiva.
O JB entrevistou o presidente do Clube, Dr. Carlos Ferreira, para fazer um balanço dos primeiros 6 meses desta nova Direcção.
JB: Dr. Carlos Ferreira, que balanço faz destes primeiros 6 meses à frente do OBSC?
Carlos Ferreira: Até ao momento o balanço é positivo, embora a nível desportivo ainda estejamos a lutar por objectivos importantes, mormente no escalão sénior, onde estamos a lutar, como sempre, pela manutenção, e nos juniores onde estamos em condições de lutar pela fase que dará acesso à subida à 1ª Divisão Nacional. De referir que em Juvenis, Iniciados e Escolas C conseguimos passar à “Fase dos Primeiros”.
JB: A equipa sénior, que acaba por ser sempre a que tem mais visibilidade para o clube, está a ter alguns problemas em alcançar os lugares que garantem a manutenção. Que razões encontra para este facto?
CF: As razões são muito simples. O Oliveira do Bairro Sport Clube (OBSC) tem, garantidamente, o mais baixo orçamento da 2ª Divisão Nacional. Num escalão em que a maioria das equipas é constituída por jogadores profissionais, a nossa equipa é constituída por valorosos jogadores que treinam, na sua maior parte, depois de 8 horas de trabalho. Ainda assim, o valor dos nossos jogadores em nada fica atrás desses profissionais de futebol, antes pelo contrario. Mas se conseguimos ter um grupo de jogadores com valor, solidários e que sentem a camisola que vestem, também é verdade que o nosso orçamento não dá para reforçar esse grupo. O que quero dizer é que temos qualidade mas não na quantidade que desejávamos, por força do rigor orçamental a que somos obrigados. A consequência desta realidade é que qualquer castigo ou lesão torna-se num problema complicadíssimo de resolver pela Equipa Técnica, que com muita imaginação e talento tem feito um trabalho muito meritório na gestão do grupo. E nesta época desportiva as lesões traumáticas têm sido numerosas e, infelizmente, a incidirem quase ao mesmo tempo sobre vários atletas.
JB: As lesões de Carlos Miguel e Luís Barreto tiveram impacto na equipa?
CF: Claro que sim, pois foram jogadores fundamentais nas últimas épocas, com uma qualidade acima da média, e que esta época praticamente não jogaram devido a lesões ligamentares, com períodos de recuperação nunca inferiores a 6 meses. Para além destes dois casos, tivemos também lesões de média gravidade em jogadores-chave como o Mário Júlio, o Pedro Almeida, o Pedro Costa, o Hugo Paulo, etc. E ainda temos mais jogadores que andam a jogar com muito sacrifício, devido a lesões que, em situações normais, aconselhariam ao descanso. Se juntarmos a isto os castigos então temos um problema semanal para encontrar o número mínimo de jogadores para convocar. Tem sido muito complicado.
JB: De facto a equipa tem tido mais expulsões que nos anos transactos. A que se deve esse facto?
CF: Sinceramente, achamos que não se deve a qualquer tipo de alteração de comportamento dos nossos jogadores, face a épocas anteriores, mas sim a alguma arbitragens infelizes de que temos sido alvo, mormente frente ao Pampilhosa, Académico de Viseu e Mafra, jogos em que fomos nitidamente prejudicados. Aliás, em Mafra o roubo – o termo é correcto – foi de “Igreja”! Foram pontos que nos retiraram e que nos poderiam dar hoje mais alguma confiança e tranquilidade na tabela classificativa. Mas todos erramos, dirigentes, treinadores, jogadores e os árbitros também não fogem à regra. Acreditamos na honestidade de todos os intervenientes mas vamos estando atentos ao que se passa, em defesa do OBSC e da verdade desportiva.
JB: Em termos financeiros, como está o clube?
CF: Em termos financeiros o clube tem sido gerido com muita imaginação e rigor, face à dificuldade em conseguir patrocínios, tendo em conta a conjuntura de crise que assola praticamente todo o tecido empresarial da região e do país. Não tem sido nada fácil mas temos que seguir a linha traçada, não entrando em “loucuras” que a curto prazo até podiam ter resultado mas que no futuro poderiam trazer graves problemas ao clube. O OBSC é reconhecido no meio desportivo como sendo um clube que não paga muito… mas paga sempre! E esse é um posicionamento que queremos manter. É, também, por esta razão, entre outras, que temos conseguido manter os jogadores que temos e conseguido atrair mais alguns, que até podiam ganhar mais noutros clubes até de divisões inferiores.
Aproveito para reconhecer e agradecer publicamente, em nome da Direcção, a compreensão e colaboração que os atletas da equipa sénior têm tido, facto que o OBSC não pode deixar de registar.

Esta noticia e do dia , 9 de Marco.
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